Notícia: editorial
21/07/2007 00:23 - Editorial
O Brasil perdeu uma de suas mais eminentes e polêmicas figuras políticas. ACM ou "Toninho Malvadeza", alcunha estigmatizada por seus adversários e pela qual era conhecida em todo o país, morre e deixa como legado a demarcação clara de uma ação política ortodoxa e conservadora.
Neste sentido, o político que trazia na alma os sinais deletérios do pelourinho sempre foi uma referência, ponto antagônico da energia política a ser dissipada pelas forças progressistas deste país. ACM era um legítimo representante da elite manipuladora, discipulada ao longo dos séculos nas escolas que se fizeram desde o Brasil colônia, legítimos aprendizes da força autoritária da coroa que manteve agregado à custa da força este enorme pedaço de chão, impedindo a fragmentação em pequenas nações.
Não há, portanto, porque condenar as bases e princípios ideológicos que permearam o discurso e ação do Carlismo no Brasil. São forças conservadoras que se fazem necessárias no jogo democrático. Sem elas a nação pode se tornar um airbus sem freio. É preciso entender, que a política e a sociedade evoluem em um movimento dialético onde o outro jamais deixará de ser a referência.
Portanto, o valor deste homem e político que marcou a cena do Brasil por meio século com sua língua afiada, palavras cortantes como navalha, doídas como a chibata, não deve ser questionado, muito menos espezinhado como fez o professor Elisio Lopes Gonçalves Secretário do PSOL no Tocantins, em nota enviada a imprensa. É muito fácil usar de palavras deselegantes e inoportunas contra quem jaz sem vida e não pode responder à altura, ou quem sabe nem responder, tal a insignificância de seu oponente.
Antônio Carlos Magalhães teve de norte a sul notas de pesar de políticos da direita e também da esquerda com quem sempre travou embates. Todas reconhecendo seu valor, aqui no Tocantins, no entanto, demonstrando uma visão provinciana, um líder partidário e pior ainda com formação acadêmica escarneceu e soltou vitupérios. Não é assim que se faz política responsável, que possa conduzir a sociedade a um ponto de equilíbrio.
A política funciona como um cabo de guerra elástico, onde as forças sociais aplicadas e em diferentes estágios sempre se movem, ora expandindo, ora contraindo-se. O que faz o jogo perigoso é quando os radicais de um lado ou do outro entram em campo esticando tanto, a ponto de gerar rupturas. Já tivemos uma à direita, da qual até hoje sentimos seus efeitos nefastos. Há teóricos das ciências sociais que dizem que se leva décadas até tudo se dissipar. Não precisamos de radicais à esquerda, defensores de rupturas, a ponto de se destemperarem.
EDITORIAL CONEXÃO TOCANTINS